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Resposta ao artigo “Opinião – Sim, Hideo Kojima é um desenvolvedor de jogos de esquerda. Por Pedro Zambarda” – Lucre Bem

Resposta ao artigo “Opinião – Sim, Hideo Kojima é um desenvolvedor de jogos de esquerda. Por Pedro Zambarda”

4.7
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Um amigo me enviou essa pérola https://dropsdejogos.uai.com.br/noticias/industria/opiniao-sim-hideo-kojima-e-um-desenvolvedor-de-jogos-de-esquerda-por-pedro-zambarda, que afirma que Metal Gear é uma franquia que defende pautas de esquerda. Tá, Metal Gear Solid agora defende pautas de esquerda, era sol que me faltava.

Metal Gear é uma franquia com temática de guerra e espionagem, que traz uma crítica libertária anarcocapitalista, que se passa principalmente no século 20. E o que aconteceu no século 20 mesmo, quais foram os eventos históricos? O autor deu muita ênfase no MGSV e não falou muito sobre os outros títulos. Quando ele menciona a parte dos Patriots mesmo, ele diz que é uma crítica a um estado totalitário (fascista), mas como, se toda forma de estado é fascista, já que o Estado não permite nada fora dele? O Estado quer controlar tudo, regular tudo, então o próprio Estado é fascista. Assim como toda forma de estado é socialismo. O Estado sendo grande ou minarquista, ele continua sendo um monopólio da força. Como são classificados os grupos que ameaçam o monopólio da força estatal? Terroristas. São chamados de terroristas, mas ninguém os chama de “Estado 2, Estado 3, Estado 4”, mesmo eles tendo um nível de organização parecido com o do Estado moderno, da mesma forma que ninguém chama o Estado moderno de terrorismo, mesmo ele se monopolizando através da violência contra gente inocente e indefesa.
Os elementos socialistas presentes na franquia Metal Gear apenas representam contextos históricos e aspectos da trama que precisam ser explicados e exemplificados, a opinião do autor é libertária anarcocapitalista, ou pelo menos é o que dá a entender.



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Em MGS2 há uma crítica pesada ao controle sistêmico feito através da mídia e outros meios de comunicação, não há nada citando um lado ideológico a ser defendido. Inclusive a crítica de Kojima em MGS2 previu todo o controle e censura de informação que temos hoje com as mídias sociais como Facebook e YouTube. Aí vem um comunista, e todo comunista é desonesto intelectualmente, e tenta enfiar a porcaria da ideologia dele onde quer que ele coloque as mãos (como é de costume). Vejam isso ” participei de um workshop de formação cultural em jogos do BoJoga realizado com apoio da Prefeitura de Fortaleza, Ministério do Turismo e governo federal. Foi uma discussão sobre ativismo político e games políticos com o Daniel Valentim.”, o que Metal Gear tem a ver com um workshop de Fortaleza, de um bando de gente discutindo sobre como enfiar ideologias políticas em jogos? Os caras tentam se apropriar de tudo, até mesmo de uma franquia que é claramente contra a ideologia deles.

Fica claro em toda a saga a insistência de Hideo Kojima em mostrar como o mundo vive um jogo de controle político, onde ele até mostra as ilusões ideológicas, como ele fez isso em MGS1, MGS2, MGS3 e MGSTPW, onde o protagonista começa com uma visão de mundo distorcida (romântica), mas ele não sabe disso, pois ele acredita estar certo (assim como as pessoas que acreditam na ilusão entre direita e esquerda, liberalismo e outras ideologias do espectro político), e no final da estória ele percebe que ele e outros foram manipulados por uma máquina política que atende a interesses de indivíduos com mentes doentias, TANTO QUE NO FINAL DE METAL GEAR SOLID – THE PEACE WALKER (aqui ninguém liga pra spoiler, se vire com os seus sentimentos), O SNAKE ATÉ CRIA UM EXÉRCITO PRIVADO, um exército sem fronteiras (an army without borders), cuja filosofia é seguir preceitos éticos, não lutando por país nenhum, bandeira nenhuma, isso é bem especificado no final do jogo, o protagonista ainda fala que ele e os demais serão confrontados por gente de todo o mundo (por assim dizer) e que apenas os tempos dirão as consequências. Snake e seu exército privado são mercenários não controlados pelo sistema, o que o Estado moderno classifica como “terroristas”, embora eu não esteja dizendo que terrorismo seja algo bom, já que esses são os tipos de mercenários nos quais o Estado não consegue exercer controle. Em toda a franquia fica bem claro a insistência de Kojima em mostrar que não devemos defender ideologia alguma, de como personagens ao longo da estória defendem ideologias e os próprios delírios, e de como as pessoas são manipuladas pelo sistema, e a medida em que a estória se desenrola, o jogador vai vendo como as coisas não são bem o que ele imaginava no começo. Toda a trama de cada jogo canônico de Metal Gear é baseada no plot de uma red pill libertária anarcocapitalista que vai sendo administrada ao longo da mesma.

O mais próximo do comunismo que a mentalidade do Kojima poderia chegar é o anarquismo clássico, mas nem isso, pois Kojima em momento algum incentiva o jogador a ser violento (a revolta armada contra o sistema é uma das marcas registradas do anarquismo clássico), ele claramente incentiva o jogador a ser pacífico (não confundir com pacifista), ele permite que todo o jogo seja zerado sem matar ninguém, por exemplo, o protagonista começa com uma arma tranquilizante, e inda bonifica o jogador por isso, pois quanto mais rápido e com menos fatalidades o jogador finalizar o videogame, melhores serão as recompensar após o zeramento.

A mensagem que Kojima passa é a de que todos os envolvidos no plot se dividem em dois lados: o lado manipulado e o lado manipulador, onde inclusive ele deixa implícito que até os soldados do exército inimigo são manipulados, por isso ele incentiva o jogador a não matar, mas a botar o inimigo pra dormir com dardos tranquilizantes ou a passar despercebido. Kojima mostra a vaidade dos personagens e a futilidade da mesma, Kojima mostra como o protagonista começa acreditando em um delírio romântico, que é a famosa história do “bem contra o mal”, e como ao longo da estória ele gradualmente percebe que não há luta entre o bem e o mal, que o mal propriamente dito são aqueles que segregam e controlam as pessoas. Por isso, insisto em dizer que há uma mentalidade libertária anarcocapitalista na franquia MGS, ou eu poderia dizer: paleolibertária. Há uma mentalidade paleolibertária por causa de três elementos:
1 – Mostrar como as pessoas são controladas pelo sistema e pela própria vaidade.
2 – Incentivar o jogador a resolver os conflitos sem matar.
3 – Implicitamente Kojima defende preceitos éticos: por mais que o jogador seja incentivado a não matar e a não defender ideologias, ainda assim o jogador é incentivado a fazer o que é certo, e o que é certo é aquilo que é defendido pelo paleolibertarianismo, que não é apenas a liberdade, como também a propriedade e a vida.

Porém, não há o elemento cristão do Paleolibertarianismo.

Em nenhum Metal Gear Solid Kojima mostra que roubar e matar pessoas inocentes e indefesas é algo ético, algo correto, coisa que ideologias como Comunismo e Nazismo claramente defendem em prol de um bem comum. É de uma piada de mal gosto, e de uma total ignorância em relação a obra, dizer que Metal Gear Solid defende pautas esquerdistas.

Epic Face Palm

Não sei se Kojima, ele mesmo, chega a ter tendências esquerdistas, por mais que o artigo mostre uma foto dele com um quadro do Che na parede e um chapéu soviético, como o próprio artigo diz “Hideo Kojima na turnê de lançamento de Death Stranding: Com Che Guevara e na Rússia. Foto: Reprodução/Instagram”, ele pode muito bem estar fazendo isso para agradar aos fãs, para aparecer ou para qualquer fim que não seja ideológico. O que importa é que em Metal Gear ele não defende o comunismo e nem ideologia estatal alguma como algo ético, e também ele como pessoa não dá a entender que ele apoia ideologias genocidas.

Kojima na Russia
Hideo Kojima na turnê de lançamento de Death Stranding: Com Che Guevara e na Rússia. Foto: Reprodução/Instagram

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