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A catarse do homem ragepill [resposta ao vídeo] – Lucre Bem
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A catarse do homem ragepill [resposta ao vídeo]

4.8
(6)

Este artigo é uma resposta ao vídeo: Catarse do Homem Ragepill, canal Epifania Disruptiva.

Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=XonVc11i0XI

Caríssimo pseudônimo Epifania Disruptiva, creio que posso dizer que já assisti a vários vídeos seus, e pude observar que você fala coisas verdadeiras, mas também diz coisas que percebe-se que não houve muita reflexão a respeito. Veja bem, o personagem citado, Arthur Shelby, ele bota tudo pra fora, porém, o certo, pelo menos superficialmente, continua sendo o Thomas, e eu queria poder explicar isso a fundo, mas é complicado. Você já leu um livro chamado “Curso de Magnetismo Pessoal”? Autor V Turnbull, ele fala da necessidade de se conservar a força do desejo para poder se apropriar dela e usa-la como magnetismo pessoal. Um guru do Yoga, chamado Sadhguru, certa vez disse que uma pessoa que está sempre cruzando a linha, chega uma hora em que ela ultrapassa tanto o limite, que ela sozinha não consegue voltar mais, ela acaba precisando de intervenção. É bastante coisa, difícil resumir tudo em um texto só, não sei nem se eu conseguiria falar tudo. O que estou dizendo é que a postura do Thomas, em si, não está errada, o erro pode estar na forma como ele lida, dentro dele, com o lado emocional dele, ou seja, nós homens não estamos errados quando adotamos uma postura séria e introspectiva, por que qualquer um ao nosso redor pode usar nosso comportamento contra nós se nós nos expormos, entretanto, o erro pode estar em como nós reagimos ao que está dentro de nós. Botar as coisas pra fora uma, duas, três vezes, enfim, às vezes, é importante sim, não me interprete mal, entretanto, quando criamos esse hábito de ficar botando tudo pra fora, tal hábito nos domina, assim como o hábito de ficar remoendo as coisas também nos domina. Veja como está o mundo hoje, o mundo está a porcaria que está por que as pessoas são CONSTANTEMENTE incentivadas a botarem os sentimentos pra fora, mas claro, dentro daquilo que o polticamente correto permite, as pessoas são incentivadas a chorarem, a serem sensíveis, a buscarem vingança, a destruírem o mal, e a gente sabe quais indivíduos são considerados maus pela sociedade hoje em dia, são qualquer pessoa, menos os verdadeiros maus. Hoje são os fracos os ditadores. Esse negócio de ficar celebrando o desejo é perigoso da mesma forma que se criar uma sociedade onde as pessoas devam reprimindo o desejo a qualquer custo (como era na época da Igreja Católica), reprimir e celebrar são duas faces da mesma moeda.

Observe a filosofia budista, eles não falam que as pessoas tem que sair botando as coisas pra fora, pelo contrário, eles ensinam um método introspectivo que funciona, o budismo é uma filosofia séria, com um aspecto prático muito assertivo, o Yoga já é um pouco mais permissivo, mas também apresentando alertas, então diga-me: por que seria correto a gente ficar botando pra fora?
Uma pessoa que vai ao confessionário da Igreja, chega e bota tudo pra fora, ok, o padre dá uns conselhos, ok, e depois? No dia seguinte vai voltar de novo? Ou vai esperar tudo se acumular, para 1, 2, 10, 17 meses depois despejar tudo no padre? Enfim, vai criar uma dependência de sempre ficar botando pra fora, de sempre ficar descontando nos outros? Seja através da consulta com um padre, psicólogo, psicanalista ou só sendo impulsivo com as palavras mesmo, como faz o Arthur Shelby? E aqui entra o aspecto psicológico, que é o de que a gente é o que come, ou seja, a gente é aquilo que pensa com frequência, da mesma forma que a gente é aquilo que realiza com frequência. Se o cara ta sempre botando pra fora, nunca se policiando, ele vai ficar cada vez pior, pois a força do hábito molda a personalidade. Imagine estar sempre tentando se defender de ataques, chega uma hora em que você cansa, por que você vê que está ficando cada vez pior, e então uma hora você chega à conclusão de que o comportamento dos outros não é problema seu. Cansa, sabe? Cansa viver se justificando, viver sempre se defendendo, revidando, tentando defender a própria honra, simplesmente cansa, mas aí num belo dia você resolve ser indiferente, não passa muito tempo e já nota alguma melhora na sua saúde mental (e até mesmo na saúde física). Eis que o seu próximo passo agora é se buscar dentro de você cada vez mais, por que do lado de fora e da boca pra fora é só perdição.

Os budistas da filosofia do Gautama (o budismo raiz, por assim dizer) falam que devemos literalmente entrar na nossa pele, to get under the skin, que devemos observar cada sentimento, emoção e pensamento, bem como cada sensação corporal mais forte do que as demais, observar, não se envolver (como faz o Thomas Shelby), mas observar essas coisas imparcialmente, isso se chama mindfulness, não conheço uma tradução perfeita para esse termo, mas basicamente se traduz por autoconsciência. Pensamentos, emoções, sentimentos, sensações… são como nuvens, eles vem e vão, e a gente apenas as observa, sem julgamento.

Thomas Shelby e Arthur Shelby podem até reagir aos estímulos de forma diferente, mas isso é externamente. Internamente os dois reagem da mesma forma; um se reprimindo, outro se celebrando, mas ambos criando um hábito destrutivo a seu modo, ambos cruzando a linha da loucura a seu modo.

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